O hino, o azul, o rosa e o tempo perdido

Já debatemos assuntos mais importantes, já tivemos pautas que realmente tinham algum valor para a sociedade. Agora, perdemos tempo em rede social, ou no bar, discutindo se as crianças devem cantar o hino, se meninos vestem azul e meninas rosa.

O governo está nos pautando com discussões idiotas! Antes, éramos aterrorizados com epidemia de dengue, febre amarela, falta d’água, entre outros! Lembram do vírus ebola? Que fuzuê fizeram com aquilo! Hoje, parece que nem existiu. Mas, no continente africano, continua matando gente. Está tão fácil assim tirar o foco da sociedade de assuntos mais importantes, como a reforma da previdência ou Brumadinho?

Mas meninas vestem rosa, meninos vestem azul! Que se lasque o que a Damares fala! Estamos em 2019 e entramos em conflito por uma besteira desse tipo. Muda algo para você? O governo vai querer dá pitacos nas roupas das crianças também? Arrisco-me a dizer que a ministra supracitada só sai da esplanada, se quiser. À cada bobagem que ela fala, um furdunço é instalado e uma cortina de fumaça aparece em Brasília. Depois, diz que se arrependeu e que não foi aquilo que quis dizer. Prática mais velha do que o autor deste texto.

Agora é o hino… O Ministro da Educação queria que filmassem a molecada cantando e enviasse sabe lá para onde. Além disso, tinha que gritar o bordão do presida, ao fim da cantoria (essa é a parte absurda). Mas, sobre o hino, que diferença faz? Chega para o seu filho e diz: “canta, você quiser! Se não tiver com vontade, fica olhando”. Livre arbítrio, senhores! Esqueceram desse direito? Ensinem seus pimpolhos a respeitar o próximo e a cumprir leis, apesar de algumas serem absurdas. Cumpra-as e depois as conteste com o seu representante político, se ele servir para alguma coisa.

Estudei do ensino fundamental até o fim do ensino médio, em escolas públicas. Em algumas, tinha a cantoria do hino, uma vez por semana. Meus pais nunca precisaram me falar se eu devia cantar o hino ou não. Apenas a respeitar. Em geral, nesses dias, entrava na escola na hora do “Gigante pela própria natureza”. Aquilo nunca foi um símbolo de patriotismo para mim. Nunca aprendi nada sobre isso na escola. Meu maior exemplo de patriotismo, veio de um cara que vestia um macacão vermelho e pilotava um carro de Fórmula-1.

Acabou o canto? “Faaala Vitin”, “Coé Tiaguin”, “Ooooii Kelly” e vida que segue. Precisa polemizar? Por vezes, é exaustivo nos manter informados da polêmica de cada semana. A discussão pode tornar-se irrelevante, a partir do momento que você avalia quem a propôs e se isso vai realmente mudar algo no coletivo. Acredito que temos pautas bem mais importantes para nos preocupar. E quanto menor for a influência do governo em nossas vidas, melhor para todos! Já não basta ele definir que você precisar dar um dinheiro a ele, todo mês, para ter a sua aposentadoria? De que forma vai fazer isso? E quanto vai ganhar lá na frente? Mas isso é assunto para outro post.

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