O que estão fazendo com o jornalismo?

Houve um tempo em que, com mais frequência, explicitava minhas críticas ao jornalismo praticado por alguns veículos. Até que um dia, imaginei que poderia estar atingindo um ou outro colega, que trabalhasse em determinada empresa. Embora, obviamente, nunca citei nomes dos profissionais.

Comecei a observar calado e a guardar para mim, algumas práticas que não acho legais. Mas admito que está difícil segurar. Há alguns anos, jamais passava pela minha cabeça que um dia eu sentiria vergonha da minha profissão. Desculpem o termo, mas estão cagando o jornalismo do lead ao último parágrafo. Qual faculdade essa gente fez?

Percebo, principalmente em grandes coberturas, o despreparo de alguns jornalistas para lidar com a situação. Temos desde repórter esbaforida correndo atrás de sonora, à informações mal apuradas. Não consigo definir o que é mais grave. Se analisarmos o trabalho da imprensa nas tragédias de Brumadinho, no Ninho do Urubu, na escola de Suzano ou qualquer outra, afinal foram muitas em 2019, não é difícil encontrar erros graves. “Fulano morreu. Peraí, não morreu não!”. “Os cadáveres só serão identificados por exame de DNA, o que pode levar meses”. No dia seguinte, estavam todos identificados por métodos considerados tradicionais.

Por que a pressa em saber o nome dos mortos? Isso não é furo! O desastre já aconteceu e tudo que o jornalista deve fazer é apurar as informações corretas e respeitar os familiares das vítimas. As declarações deles são importantes. Mas se não as têm, vá atrás de outras! Transpire na camisa e se preocupe menos com o cabelinho arrumado.

A indignação aumenta ao ver tantos bons profissionais fora do mercado. Quando conseguem se segurar em uma empresa, muitos estão subordinados a um contrato temporário e precisam parir um filho para conseguir renová-lo. E, nem sempre, o sorriso do bebê cativa o empregador.

Observem: só citei coberturas em tragédias. Não entrei nem no assunto eleição! O que, convenhamos, precisaria de um post inteiro (ou vários). Só para resumir, não passa pela minha cabeça achar errado se um cara fecha com o lado A ou B. Desde que isso não influencie no trabalho dele. Se, diariamente, ele opina, acho até louvável que assuma. Pelo menos ali, o público sabe que vai ouvir a opinião de um cara direitista ou esquerdista.

Confesso que não sei qual fim terá o jornalismo. Se irá se resumir a sensacionalismo, a fofoquinha ou a “besteiróis” que vemos principalmente na TV e internet. O fato é que hoje a profissão vive de espasmos. De tempos em tempos, surge uma grande matéria, como foi a de Chico Otávio, na prisão dos acusados de assassinar a vereadora Marielle Franco. E aí compartilhamos: “O jornalismo respira”, “Aula de jornalismo” e etc… De fato, é para ser mostrada nas faculdades. Mas reportagens como essa, estão cada dia mais escassas. Perde a profissão, perde a sociedade.

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