Os Novos Dirigentes do Futebol

Um domingo de verão, um clássico no Maracanã a 11 dias do Carnaval, cidade cheia de turistas e a disputa pela taça mais tradicional do Rio de Janeiro. Apenas isso, já seria suficiente para termos um autêntico fim de semana carioca.

Mas os dirigentes conseguiram manchar com briguinha tosca. Não o sendo o bastante, conseguiram incentivar o caos antes do jogo. Será que é tão difícil pensar na realização do evento, da melhor forma, para o público? Em um campeonato falido, esse jogo era para ser promovido logo após as semifinais que já haviam sido adiadas, após a tragédia no Ninho do Urubu e que apertou o calendário. Mas aí também já é exigir demais que eles pensem nisso. É mais cômodo ficar na briguinha colegial.

O que se espera da nova safra de dirigentes, é um pouco mais de bom senso. Algo que não poderíamos exigir da velha guarda que, em muitos casos, estava mais preocupada em satisfazer o seu próprio ego e se fortalecer politicamente dentro do clube. Aliás, política de clube é tão nojenta quanto a do país. Certa vez, alguém me disse: “se quiser continuar a gostar tanto do seu clube, não queira conhecê-lo por dentro”. De início, achei um exagero. Mas o pouco que conheci do meu, já peguei ranço.

Na área financeira e administrativa, não podemos negar que a chegada dos atuais cartolas foi um respiro para alguns clubes. Porém, frequentemente os vemos metidos em picuinhas, similares àquelas protagonizadas pelos seus antecessores. E falo aqui dos clubes em geral, não apenas dos dois protagonistas da vergonha na final da Taça Guanabara. Mas será que importa tanto assim, para o torcedor comum, qual lado ele vai ficar? O metrô e o trem que ele vai pegar é o mesmo. Tirando alguns metros à mais, ou a menos, de caminhada, o que muda? O Maracanã é redondo! Ou oval, como queiram.

Viemos de uma semana difícil, no futebol, com o incêndio no Ninho e tivemos bons exemplos de solidariedade, por parte dos clubes rivais do Flamengo. Por ter poucas esperanças no que somos hoje como sociedade, confesso que não me iludi com as ações. Embora, tenha achado todas louváveis. Justifico isso, depois de assistir o presidente do Fluminense dar uma declaração desastrosa, convocando os torcedores para a “guerra” e dar apoio irrestrito. Antes de ele explicar o que quis dizer, eu o entendi. Você, leitor que acompanha futebol, também dever ter entendido. Ele quis dizer para cantar sem parar, fazer barulho e etc. Só que há uma galera que não tem neurônios e pode causar tumulto. E aí, como faz?

Ele é o principal representante da instituição. Fala para muita gente! E já não basta o caos diário que vivemos nesta cidade? Acho que não precisamos de mais ninguém para colocar lenha na fogueira. Já estamos fartos de tragédias. Onde está a responsabilidade e o bom senso nisso tudo?

Só quem vive o dia-a-dia do clube pode saber o que, de fato, leva os mandatários a esse comportamento. Sabemos que o presidente do Fluminense vive um período difícil, com muita gente pedindo sua saída. E, no Vasco, conhecemos o clã que não está mais no poder, porém ainda é muito forte lá. Mas será que é só por culpa das correntes ocultas? Ou, como na política nacional, os atuais presidentes de clube são versões melhoradas dos antigos dirigentes?

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